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Curiosidades

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- O milagre da ópera na floresta

O MILAGRE DA ÓPERA NA FLORESTA
Por Leonardo Martinelli (artigo resumido)

A coisa nunca foi fácil para a música clássica em terra brasilis, mas não seria exagero afirmar que, atualmente, importantes projetos e instituições passam por tormentas jamais testemunhadas. Ausência de política e apoio culturais, ingerências administrativas e atritos de naturezas  diversas são os ingredientes de um coquetel explosivo que fragiliza a existência de teatros, orquestras e festivais no país. Entretanto, algumas iniciativas têm conseguido enfrentar essa situação desenvolvendo trajetórias notáveis, dentre as quais possivelmente a OSESP  seja o símbolo maior de um porvir almejado por muitos.

Quase simultaneamente ao início do processo de reestruturação da orquestra paulista, a milhares de quilômetros da selva de pedra do Sudeste, outro projeto igualmente pioneiro dava seus primeiros passos: o Festival Amazonas de Ópera (FAO) .... Distante dos grandes centros e em um estado que ocupa apenas o 15º  lugar das arrecadações do país, o tradicional Teatro Amazonas de Manaus, há duas décadas, estava sucateado: não havia orquestra nem músicos nem público.

Em 1996, o Teatro Amazonas completou 100 anos de existência. Fora o exótico edifício que se destaca da paisagem do centro da capital manauara, às margens do majestoso Rio Negro,  não havia nada que pudesse ser utilizado para os festejos. Naquela época, o Teatro Amazonas – canto do cisne de um tempo de riqueza oriunda do ciclo da borracha – era um monumento oco e sem atividades artísticas relevantes. O governo de então, planejou comemorar o jubileu do teatro contratando o tenor José Carreras. ... e foi necessário importar uma orquestra de ocasião, formada unicamente para acompanhar o famoso cantor espanhol.

...o jovem alemão Michael Jelden.  violinista de formação, responsável pela reedição de várias obras de Paganini,  trabalhando  também como produtor de pequenos festivais de música na Europa, propôs ao governo estadual a realização de um festival de ópera com recursos estrangeiros e músicos provenientes de diferentes partes do país e do mundo.

Na primeira edição, ele tinha consciência de que não poderia contar com a participação financeira nem do governo nem de patrocínios privados. ... tinha planejado como um misto de aventura artística e idealismo.Poucos imaginaram que aquele embrião se desenvolveria para se firmar no país como a principal referência no que diz respeito à ópera, tanto em termos  musicais como produção técnica.

O sucesso do festival  é fruto do trabalho de três linhas de força que possibilitaram que o evento chegasse a sua 15ª edição, estabelecendo esse feito inédito na história da música lírica brasileira.

Em primeiro  lugar ... Robério Braga, secretário da Cultura do Amazonas....Ao longo dos anos ele se envolveu de forma direta na produção do festival...

A segunda ... a orquestra Amazonas Filarmônica. Fundada em 1997 pelo Maestro Júlio Medaglia, causou frisson na imprensa brasileira,  pela louvável iniciativa de se criar um novo grupo sinfônico no país, e sobretudo pelo inusitado fato de ter sido inicialmente integrada em grande parte por músicos provenientes  de países do Leste Europeu, que, acostumados ao frio, teriam que se adaptar ao calor amazônico.

O terceiro fundamento para a sustentação de evento é o maestro Luiz Fernando Malheiro, que, em 1999, entrou definitivamente na história do FAO.

Em torno deste tripé, foi surgindo uma série de outros empreendimentos. A partir da Amazonas Filarmônica, criou-se um programa de ensino desenvolvido pelo Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro e, a partir dele, fundou-se outro grupo sinfônico, a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, que atualmente também participa da programação do festival.

Não bastasse a existência de um festival de ópera no Brasil, em si, uma realização memorável, ao longo de seus quinze anos o FAO foi responsável pela produção de importantes títulos:

- A Valquíria (Wagner)

- Il Guarany – (Carlos Gomes)

- Yerma – (Villa-Lobos)

- Ça ira (ópera pop) -  (Rogers Waters- do Pink Floyd)

-Lady Macbeth do distrito de Mtsensk (Shostakovitch) com soprano brasileira, Eliane Coelho.

- e outras mais...

Em plena produção do FAO  deste ano,  (com Suor Angelica ( Puccini), Tristão e Isolda  ( Wagner) , O messias  (Händel) e Carmina Burana ( Carl Orff ), a equipe já trabalha no evento do ano que vem, para garantir a continuidade de um dos eventos culminantes da programação cultural brasileira.

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